segunda-feira, 11 de junho de 2012


Ciborgue



Próteses Inteligentes
Mesmo que a perfeita integração entre homem e máquina ainda não tenha sido totalmente alcançada, os membros eletrônicos disponíveis hoje já auxiliam seus usuários de maneira significativa. “Temos pacientes que jogam basquete, tênis, andam de skate, de bicicleta. Ao fazer essas atividades, eles esquecem que estão usando uma prótese”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho, diretor do Instituto de Prótese e Órtese (IPO), em Campinas, no interior de São Paulo.
Após dez anos de pesquisas, a C-Leg foi lançada em 1997 e conta com mais de 50 mil usuários ao redor do mundo. O joelho eletrônico procura dar estabilidade total ao paciente na hora de caminhar, além de permitir realizar os movimentos com maior naturalidade.Para isso, o sistema é equipado com dois sensores internos responsáveis por fornecer informações como o ângulo e a velocidade de flexão do joelho. Um software interpreta esses dados e os envia ao micropocessador, que converte comandos para que um pequeno motor ative o sistema hidráulico, permitindo assim o movimento.Um detalhe importante: isso acontece 50 vezes a cada segundo.
Apesar da alta tecnologia empregada, o processo de adaptação do usuário à prótese não é simples. Antes de poder utilizá-la sem restrições, o paciente deve por um período de treinamento, ganhando confiança para voltar a andar. Além disso, o responsável pela instalçação do membro artificial deve registrar algumas informações básicas no micropocessador interno da C-Leg, usando Bluetooth.”Quando o paciente está em treinamento na clínica, verifico seus movimentos usando gráficos e consigo fazer os ajustes necessários no software. Todas essas informações ficam armazenadas na prótese”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.
O usuário da C-Leg também conta com um controle remoto, que pode ser usado para a realização de atividades específicas. Caso queira andar de bicicleta, por exemplo, basta ligar uma função para que o joelho fique”livre”, sem nenhum tipo de travamento do controle hidráulico. Se preferir esquiar, é possível manter o equipamento em um ângulo específico, próprio para a prática da atividade. Apesar de todas essas possibilidades, o membro artificial ainda encontra uma limitação: não é à prova d’água.

Mãos e Ouvidos Biônicos
Buscando explorar cada vez mais recursos, a Otto Bock lançou o Genium, um joelho eletrônico com tecnologia superior à da C-Leg. Já disponível no mercado europeu, o aparelho ainda depende da liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado no Brasil. Thomas Pfleghar, técnico da Otto Bock, explica as inovações da prótese.”O Genium simula como o nosso joelho fisiológico se comporta na hora da marcha.Ele possui cinco sensores que trabalham cem vezes por segundo. Um deles é um giroscópio, que
sabe o ângulo exato em que o membro se encontra”.A prótese, que começou a ser vendida na Europa e nos Estados Unidos em 2011, já conta com cerca de 900 usuários.
Mas a oferta de próteses eletrônicas não fica restrita a joelhos e pernas. A empresa islandesa Össur projetou o Proprio Foot, um pé biônico que busca recriar o funcionamento do tornozelo. Por meio de sensores, o equipamento se adapta ao terreno em que pisa, modificando o funcionamento na hora de subir rampas e escadas, facilitando, assim, a movimentação do usuário.
Para membros superiores, a alta tecnologia fica por conta das próteses de mãos. Desenvolvida pela companhia escocesa Touch Bionics, a i-LIMB revolucionou o mercado ao criar um sistema que permite o funcionamento de todos os dedos do membro artificial, a partir de motores independentes. Além disso, a prótese é capaz de realizar movimentos de rotação do punho e do dedão, possibilitando ao usuário segurar objetos de maneira segura.
A mão eletrônica funciona a partir da transmissão de impulsos nervosos vindos da contração dos músculos existentes na parte não amputada do braço. Captados por sensores instalados na prótese, esses sinais são convertidos em cargas elétricas e levados ao microprocessador do equipamento, permitindo a execução dos movimentos. Com um software instalado em seu computador pessoal, o usuário pode alterar os níveis de sensibilidade e aderência da mão, usando Bluetooth.
Pesquisadpres vêm desenvolvendo também membros artificiais que poderão substituir plenamente órgãos vitais, como coração, rins, pâncreas e bexiga.
Entre as próteses internas mais bem sucedidas está o ouvido biônico. Com um procedimento conhecido como implante coclear, pessoas com surdez parcial ou total são capazes de voltar a receber estímulos sonoros. Desenvolvido desde o início da década de 80, o ouvido biônico funciona a partir de duas unidades, uma externa e outra interna.
A primeira é um processador de som. Captada por um microfone, a frequência sonora é digitalizada e enviada por meio de uma antena FM para a unidade interna. Instalada dentro do ouvido, na região da cóclea, esse dispositivo transforma os dados recebidos em impulsos elétricos, que estimularão o nervo auditivo responsável por levar as informações ao cérebro.
Processado por um software, o som que chega aos ouvidos parece uma voz robótica. Segundo o médico otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, coordenador do Grupo de Implante Coclear da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o procedimento cirúrgico para a colocação da unidade interna é simples.”Um pequeno corte é feito atrás do ouvido para a instalação da unidade interna. A cirurgia demora cerca de uma hora e meia e o paciente sai do hospital no mesmo dia.”

Alto Desempenho
Mesmo com tantos recursos tecnológicos, as próteses biônicas não são a única opção para as pessoas que perderam membros.è o que explica Ian Guedes, diretor do Centro Marian Weiss,
de São Paulo, especializado na reabilitação de amputados.”A prótese mais avançada eletronicamente não é necessariamente a mais indicada.Precisamos sempre pensar quais são as necessidades e a expectativa do paciente”. Um bom exemplo disso são os pés fabricados em fibra de carbono, como os desenvolvidos pela empresa Össur. Chamados Cheetah, são destinados a atletas e funcionam como molas. As próteses absorvem o impacto e devolvem essa energia na forma de impulsão.”Nesse caso, não podemos pensar em sistemas eletrônicos, pois não resistiriam aos choques intensos sofridos com o solo”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.

O Primeiro Ciborgue – como o britânico de 29 anos Neil Harbisson expandiu seus sentidos
Neil Harbisson chama a atenção por si só. O cabelo em formato de tigela, as calças coloridas e o olhar zombeteiro fazem desse britânico de 29 anos uma figura peculiar. Mas é um pequeno despositivo saindo de sua cabeça que o torna único:Harbisson é considerado o primeiro ciborgue do mundo. Ele nasceu com uma doença chamada acromatopsia, que impede de enxergar cores. Mas seu mundo em preto e branco durou até 2004, ano em que densenvolveu o Eyeborg, um dispositivo que permite”escutar” as diferentes tonalidades de cor.
Capturada por uma webcam, a imagem é direcionada a um chip instalado em seu crânio e capaz de analisar a frequência da luz e transformá-las em som. Com as cores transformadas em frequências sonoras, Harbisson conseguiu expandir seus sentidos. Quando cai a um museu ou passeia pelas cidades, naõ só aprecia a beleza visual como também”ouve” as diversas tonalidades de cor presentes nos objetos.
Com seu Eyeborg, Harbisson consegue escanear os padrões de cores das metrópoles. Para ele, Londres é vermelho e amarela. São Paulo, uma mescla entre o azul e o vermelho. Formado em artes visuais, Harbisson fundou a Cyborg Fondation, cujo objetivo é ajudar humanos a se tornarem ciborgues.”A proposta é ampliar seus sentidos”, disse Harbisson.
Experimente perguntar a Harbisson como se sente sendo um ciborgue e a resposta será: ”Fui gradualemente percebendo, ao notar que os componentes cibernéticos passaram a fazer e parte de meus sentidos. Foi estranho, porque não sabia quase nada sobre cibrogues quando comecei o projeto”. No início carregava um computador de 5 quilos com cabos. A grande mudança doi a instalação do chip, que é desenvolvido para que fique cada vez menos.